quinta-feira, 1 de março de 2012

CURSO AUDIODESCRIÇÃO

                                       

Curso de Audiodescrição
Esculpindo Imagens com Palavras
Autora e Professora
Luciane Maria Molina Barbosa
Inscrições Abertas – Início em 26 de Março
Descrição
Tendo em vista o contexto escolar atual, no qual predominam imagens e signos visuais, a audiodescrição torna-se indispensável para a construção do conhecimento pelas pessoas com deficiência visual. É um serviço da tecnologia assistiva, que consiste em um recurso de tradução visual por meio da descrição clara e objetiva de todos os elementos visuais de uma obra, seja teatro, filme, musicais, exposições, figuras, gráficos em geral. A conhecida lei da acessibilidade nº 10098 estabelece, entre outros, normas gerais de acessibilidade, entre elas a comunicacional. Neste momento, cabe a discussão de que a audiodescrição pode ser um recurso a ser utilizado em diferentes espaços e em sala de aula e a necessidade de se criar roteiros como suporte e apoio pedagógico que favoreçam a inclusão da pessoa com deficiência visual. Assim, estariam os profissionais preparados para disponibilizar esta prática em sala de aula ou em diferentes espaços culturais? Como favorecer o uso dessa ferramenta como meio de inclusão cultural e educacional?
Objetivos
Capacitar professores/multiplicadores para a criação de roteiros de audiodescrição promovendo a acessibilidade dos conteúdos imagéticos entre as pessoas com deficiência visual.
Descrição Detalhada da Proposta do Curso
Pretende-se levar o cursista a conhecer, mais de perto, as realidades que envolvem o processo de apropriação de conteúdos visuais entre as pessoas com deficiência visual, o entendimento de uma obra e quais as etapas desta elaboração, desenvolvendo um roteiro e, posteriormente, fazendo a narração por um locutor, de acordo com as técnicas previstas para cada evento. Aulas práticas, expositivas e reflexão coletiva por meio de uma apresentação teórica, dinâmicas de sensibilização e demonstração de materiais audiodescritos para pessoa com deficiência visual. Conhecer mais sobre a estrutura da AD e como se dá o processo de construção de esquemas perceptivos por meio não visual.
Público
Pedagogos, psicopedagogos, professores, educadores, coordenadores pedagógicos, diretores de escolas, pais, estudantes de pedagogia e licenciaturas, estagiários na área de educação, fonoaudiólogos, estudantes de fonoaudiologia, terapeutas ocupacionais, arteterapeutas, psicólogos, estudantes de psicologia e demais profissionais que atuem na área da saúde, cultura, informática, comunicação interessados em aprimorar seus conhecimentos sobre o assunto.
Conteúdo Programático – 60 horas
Temas Abordados
·Informações básicas: exploração de referenciais perceptivos, os sentidos remanescentes, desenvolvimento de imagens mentais;
· Legislação sobre audiodescrição;
 .Conceituação sobre audiodescrição e histórico;
 .Mostra e análise de obras com audiodescrição;
· Técnicas para a elaboração de roteiro escrito para audiodescrição;
· Gravação e produção de materiais audiodescritos.
Programa do curso:
Módulo 1: Introdução a audiodescrição – 15 horas
O que é audiodescrição e a quem se destina; a importância da audiodescrição em diferentes conteúdos midiáticos e na educação; História da audiodescrição e principais marcos legais; Como é feita e o que é descrito; documentários e exemplos de Vídeos com audiodescrição
Módulo 2: As diferentes formas de audiodescrição, conceitos de percepção e diretrizes da AD – 15 horas
Formas de audiodescrição: ao vivo o pré-gravada; Descrição de figuras, fotografias e elementos estáticos; diretrizes gerais da audiodescrição; outras diretrizes para audiodescrição em museus, teatro, dança e ópera.
Módulo 3: Outras diretrizes e elaboração de roteiro escrito – 15 horas
Diretrizes para audiodescrição de filmes e vídeos; como elaborar um roteiro escrito de audiodescrição; a audiodescriçãoo do livro didático; o professor e as ações coletivas para a promoção da acessibilidade por meio da audiodescrição no ambiente escolar.
Módulo 4 – praticando a gravação da audiodescrição – 15 horas
Preparação de roteiro de audiodescrição de filme, peça publicitária ou curta metragem; gravação e edição de vídeo com audiodescrição; importância da revisão de AD feita por uma pessoa com deficiência visual; publicação do conteúdo audiodescrito.
O inscrito receberá uma apostila contendo todos os módulos e materiais após o encerramento do curso para consultas futuras. Durante o curso, todos os materiais ficam disponíveis na plataforma de ensino Gpec para estudo.
Valor
Este curso possui um investimento total de R$ 280,00 (Duzentos e Oitenta Reais).

Os certificados tem validade para fins curriculares e em provas de títulos, respeitando a carga horária descrita.

Para maiores informações clique abaixo:




“Pouco a pouco.....transformando a educação”
Tel. 11 - 3782-0635 – 7040-4042
São Paulo - SP



sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Filmes que você não pode deixar de ver! 21. Ocean Heaven

 21. Ocean Heaven Haiyang Tiantang, 2010, China

De Xiao Lu Xue, com Jet Li (Wong Xincheng) e Wen Zhang (Dafu).


SINOPSE: A história do amor incansável de um pai pelo seu filho autista.  Segundo os Centros de Controle de Doenças E.U.A., uma pessoa em cada 110 tem autismo, em maior ou menor grau. Daí resulta que a China tem mais de 10 milhões de pessoas com autismo. Dafu é um deles: parece distraído, repete o que as pessoas lhe dizem, nada com maestria, mantém tudo em casa em lugares determinados e talvez não esteja totalmente ciente da morte de sua mãe, ocorrida há alguns anos. Trabalhando em um aquário,  Wong mostra extremo cuidado e carinho com seu filho de 22 anos, Dafu. Com a generosa ajuda de seus vizinhos, os dois vivem normalmente. Porém, Wong compreende muito bem que um dia deixará o mundo e seu filho ficará sozinho. O que ele ainda não descobriu é que esse dia pode estar mais perto do que imagina.


Quem espera encontrar o mestre das artes marciais, Jet Li, aplicando seus belos golpes, está enganado. Esta é a estréia de Jet Li num drama, representando o pai viúvo de um rapaz autista.  Jet Li cobrou exatamente 1 dólar por sua atuação, já que o filme é uma colaboração filantrópica para chamar atenção para o autismo no mundo, principalmente na China.

O filme estreou nos cinemas de Hong Kong em junho de 2010 e ainda não tem uma tradução para o Brasil. Ocean Heaven é um aquário oceanográfico de visitação e atrações onde Jet Li trabalha e onde é permitido que seu filho nade, seu maior prazer e sua maior habilidade.
                                                                            



O pai ao descobrir que sofre de uma doença terminal, começa a procurar um lugar para deixar seu filho quando morrer e descobre que não existe nenhum tipo de instituição para abrigá-lo. Ou Dafu é velho demais para algumas instituições ou novo demais para outras. Decide então tentar ele mesmo a ensiná-lo a ser independente, a se vestir, fazer sua própria comida e a trabalhar. Bem, é aqui que vemos a beleza do filme. Dafu é um autista de bom funcionamento e vai aprendendo aos poucos. Seu pai, sem perder a paciência mostra seu amor e dedicação em cada ato que ensina ou que planeja para sua vida sem ele.






quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Presidenta Dilma sansiona lei que permite trabalho para beneficiários do BPC

A alteração na Lei Orgânica de Assistência Social autoriza pessoas com deficiência a trabalhar como aprendizes, sem perder o benefício. Também assegura que o beneficiário, se necessário, retorne ao BPC sem passar pela reavaliação médica 

Brasília, 2 – Pessoas com deficiência que recebem o Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC) poderão tentar o mercado de trabalho sem perder o benefício. A presidenta Dilma Rousseff sancionou, nesta quinta-feira (1º), conforme publicado no Diário Oficial da União, projeto de lei que altera a Lei Orgânica de Assistência Social (Loas), muda a definição conceitual de pessoa com deficiência e amplia a possibilidade de inclusão profissional desse público.

Antes, a pessoa com deficiência perdia o benefício caso tivesse atividade remunerada, inclusive como microempreendedor individual. A partir de agora, o beneficiário pode ingressar no mercado de trabalho e ter o benefício suspenso temporariamente. Se nesse período o beneficiário não conseguir se manter no trabalho ou não adquirir o direito a outro benefício previdenciário, ele retorna ao BPC sem precisar passar pelo processo de requerimento ou de avaliação da deficiência e do grau de impedimento pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O período de suspensão não é determinado pela lei, mas o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), responsável pela gestão do BPC, proporá ao Legislativo que seja de dois anos. Embora operacionalizado pelo INSS, o BPC não é pensão vitalícia nem aposentadoria. Os beneficiários passam por revisão do INSS a cada dois anos.

Aprendiz – Outra alteração na lei permite que pessoas com deficiência contratadas na condição de aprendizes continuem recebendo o BPC junto com a remuneração salarial durante o período do contrato. “Conforme a lei trabalhista, o contrato de aprendiz é para quem tem entre 16 e 24 anos, está vinculado ao ensino e é remunerado por hora de trabalho. No caso da pessoa com deficiência, não há limitação de idade”, explica a diretora da Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS) do MDS Maria José de Freitas.

A lei também define que pessoa com deficiência é aquela que tem impedimentos de longo prazo (pelo menos de dois anos) de natureza física, mental, intelectual ou sensorial. Os impedimentos podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade, em igualdade de condições com as demais.

O BPC é um benefício mensal no valor de um salário mínimo concedido ao idoso, com 65 anos ou mais, e à pessoa com deficiência, de qualquer idade, que comprovem não possuir meios para se manter ou cuja família não tenha recursos para mantê-los. Em ambos os casos, é necessário que a renda bruta familiar per capita seja inferior a um quarto do salário mínimo por mês.

O benefício é gerido pelo MDS e operacionalizado pelo INSS. O recurso para pagamento do BPC sai do Fundo Nacional de Assistência Social. A previsão orçamentária para este ano é de R$ 23,1 bilhões. São 3,5 milhões de beneficiários em todo o País, dos quais 1,8 milhão de pessoas com deficiência.

Projeto piloto – Em parceria com a Federação Nacional das Associações para Valorização de Pessoas com Deficiência (Fenapave) e os ministérios da Educação e do Trabalho e Emprego, o MDS realiza projeto piloto do BPC Trabalho em dez cidades, com o objetivo de promover a inserção de pessoas com deficiência, entre 16 e 45 anos, no mercado de trabalho.

Os municípios de São Paulo e Santo André, no interior paulista, executam o projeto desde o ano passado. Nesta quinta-feira (1º), a secretária nacional de Assistência Social, Denise Colin, assinou a ampliação do projeto para mais oito capitais: João Pessoa (Paraíba), Porto Alegre (Rio Grande do Sul), Recife (Pernambuco), Belém (Pará), Campo Grande (Mato Grosso do Sul), Teresina (Piauí), Fortaleza (Ceará) e Curitiba (Paraná).

O BPC Trabalho prevê visitas domiciliares, diagnóstico social e encaminhamento aos serviços da assistência social. Com apoio das entidades socioassistenciais, os beneficiários são avaliados quanto ao potencial de trabalho e suas demandas, identificadas para inserção profissional.

Leia a Lei nº 12.470 que dentre outros assuntos, alterar regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC) da pessoa com deficiência.

Cristiane Hidaka
Ascom/MDS
(61) 3433-1065

http://mds.gov.br/saladeimprensa

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Obra malfeita barra aluno deficiente em escola pública

 EXCELENTE REPORTAGEM DO BLOG diferenteeficientedeficiente


Obs: a terminologia inadequada foi mantida por ser cópia fiel do jornal citado


FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO

Na escola estadual Brigadeiro Eduardo Gomes, zona norte da capital, o governo gastou com reformas para torná-la acessível a deficientes. Mas deixou uma escada com quatro lances, quase 50 degraus, como única forma de se chegar à quadra. O cadeirante precisa ser levado por colegas ou servidores.
Perto dali, a reforma do colégio Parque Anhanguera permite a circulação do cadeirante. Mas o deficiente visual não conta com indicação no solo para evitar choque com obstáculos ou evitar a queda em escadas.Os colégios integraram o programa de obras do governo paulista para tornar acessível parte da rede estadual de ensino, a maior do país. Foram gastos R$ 690 milhões desde 2007 (para acessibilidade e outras necessidades).
Elas integraram também o grupo de escolas onde as obras foram insuficientes ou mal feitas, segundo auditoria do Tribunal de Contas de SP.Foram analisados 100 dos 850 colégios reformados.
Em metade da amostra houve "irregularidades" no trabalho ou "oportunidade de melhoria que deixaria o prédio plenamente acessível".Dois dos princípios de um local adaptado é que o deficiente possa ter acesso a todos ambientes e autonomia para locomoção. Legislações federal, estadual e municipal exigem que prédios públicos já sejam adaptados.Na auditoria do tribunal, algumas das falhas mais encontradas foram ausência de piso tátil para deficientes visuais e de local adaptado para que cadeirantes possam socializar nas quadras.

OBRA INCOMPLETA

A Folha visitou semana passada duas das escolas reformadas. Na Parque Anhanguera, o cadeirante conta com rampas e elevador.
Mas o deficiente visual não possui indicações no solo para andar com segurança.O colégio tem hoje um aluno com essa deficiência. O diretor da escola, Reginaldo Lopes, diz que o estudante nunca teve problema porque os colegas o guiam. "Ao mesmo tempo que o jovem é cruel, também é acolhedor."Na Brigadeiro Eduardo Gomes, há indicação para o deficiente visual, mas o cadeirante não chega à quadra. A engenheira Sanrlei Polini, que acompanhou a Folha, destacou a quase ausência de identificação de ambientes adaptados (exigência legal). "Mas o governo está no caminho, só não pode parar", disse a especialista em regularização de imóveis.Outro problema apontado pela auditoria é o descumprimento da meta lançada em 2007 pelo então governo José Serra (PSDB) de tornar acessível 50% das escolas es0taduais até 2010.
Atualmente, a proporção está em 15%.A auditoria foi usada para julgamento das contas do 0governador em 2010, aprovadas no final de junho.

OUTRO LADO

Secretaria diz que as reformas serão feitas novamente
Caso sejam constatadas falhas na execução do que já foi realizado, empreiteiras serão responsabilizadas
A Secretaria da Educação afirmou que fará novas intervenções para solucionar os problemas encontrados na acessibilidade das escolas.
"Vamos voltar e fazer o trabalho de novo. Se for falha de execução, acionaremos as empresas que fizeram o serviço", disse o chefe de gabinete da pasta, Fernando Padula. Segundo a secretaria, há também a possibilidade de ter havido erros nos projetos feitos pelo governo.
A gestão Geraldo Alckmin (PSDB) afirma que, quando se decide reformar uma escola, a ideia é torná-la acessível a qualquer deficiente.
"O processo nas escolas estaduais é dinâmico e grandioso. Erros podem ocorrer. Se houve, vamos arrumar", afirmou a gerente de projetos da FDE (fundação da pasta responsável pelas obras), Avany de Francisco Ferreira.

Em relação ao descumprimento da meta das obras, de tornar acessível 50% da rede, a pasta diz que houve redirecionamento de prioridades.
Parte dos recursos foram para ampliação ou construção de escolas (para desafogar outras) e eliminação de colégios padrão Nakamura (espécie de escola de lata).

ACORDO COM PROMOTOR

A Secretaria da Educação afirmou que apresentou à Promotoria plano para quase triplicar o número de escolas adaptadas em dez anos.
A pasta pretende oferecer ao menos uma unidade acessível em um raio de até 2 km em todas as áreas urbanas do Estado. Nas rurais, a distância aumenta para 15 km.
O plano prevê obras em 1.495 escolas, ao custo total de R$ 1,3 bilhão. A pasta planeja oferecer transporte para o deficiente chegar ao colégio adaptado. Atualmente, são cerca de 15 mil alunos deficientes na rede estadual.
O governo pretende assinar um termo de ajustamento de conduta com a Promotoria, comprometendo-se a cumprir o programa, para evitar novas ações judiciais.
"Hoje, promotores entram na Justiça e nos forçam a reformar escolas que não estavam no plano inicial", disse o diretor de obras da FDE, José Arlindo César Marcondes.
"Isso desorganiza o nosso planejamento e faz com que deixemos de reformar escolas realmente prioritárias."
O promotor Luiz Antonio Miguel Ferreira afirma que ele e outros colegas analisam a proposta. "Pessoalmente, acho o período de dez anos extenso. As escolas já deveriam ser acessíveis", disse Ferreira, coordenador da área de educação do centro de apoio cível da Promotoria. (FÁBIO TAKAHASHI)


Raphael Preto Pereira, 16,em calçada da Vila Guilherme, na zona norte de São Paulo

DEPOIMENTO

Mesmo os colégios particulares não estão prontos para incluir
'Na hora de fazer a matrícula e receber o dinheiro, todos se dizem acessíveis e preparados para receber deficientes físicos'

Sou cadeirante. Minha primeira experiência escolar aconteceu numa instituição particular [na zona norte de SP; a escola faliu], ainda no ensino infantil. Eles me deixavam quieto num quarto, sozinho, e não podia chorar.
"Se chorar sua mãe não vem te buscar", dizia uma das "tias". Fiquei nessa escola durante seis meses.
Achamos uma outra escola rapidamente. Na hora de fazer a matrícula e receber o dinheiro, todas falam que são acessíveis e preparadas.
Fui para a Estrela dos Sonhos. Quando estudava na parte da manhã com a professora Ana Paula, foi uma coisa maravilhosa. Nem sei se ela tinha especialização.
Quando passei do jardim 1 para o 2, mudei de professora e passei a não conseguir acompanhar a turma.
Saí depois de um ano. Já vacinados, meus pais procuraram novamente escola não regular, o Centro de Reabilitação da Uniban.
A proposta era, no menor tempo possível, acostumar os deficientes com a rotina escolar e depois incluí-los numa escola regular. Fiquei lá no ano de 2002.
Voltei para o ensino regular particular, no Instituto Cultural Criando Arte, que possui rampa e se mostrou disposto a fazer outras adaptações. Me senti seguro.
Em 2006, fui para a escola estadual Buenos Aires, onde estou até hoje. Ela possui o mínimo de adaptações físicas e funcionários comprometidos com a inclusão.
Após a Folha publicar uma reportagem, o banheiro foi consertado [estava sem porta]. Mas a carência de materiais impede que deficientes com menos independência do que eu façam tarefas triviais como escrever.
O fato é que existem hoje poucas escolas inclusivas, públicas ou particulares.

RAPHAEL PRETO PEREIRA 16, cadeirante

ANÁLISE

Falta de acesso no ambiente escolar é paradoxo para educação

SHIRLEY SILVA
ESPECIAL PARA A FOLHA

Geralmente, não pensamos nos detalhes sobre ir e vir. Tampouco nos preocupamos se o local a ser visitado tem acesso fácil, se haverá comunicação entre os diferentes espaços.
A situação é diferente para pessoas com deficiências físicas, visuais ou com mobilidade reduzida. Elas precisam de locais projetados para permitir a acessibilidade e, também, que esse acesso possa ser realizado pela própria pessoa, de forma independente e autônoma.
Por serem espaços institucionais que têm como tarefa a produção de conhecimento, a construção de cidadania coletiva e a preparação para o trabalho, a situação das escolas é peculiar.
O reconhecimento do papel fundamental que a educação tem na vida das pessoas, em sociedades nas quais os princípios da democracia e da cidadania direcionam a organização política e a sociedade civil, torna-a compulsória (obrigatória), considerada direito público.
A não existência de acessibilidade em escolas públicas é um paradoxo, pois o próprio Estado que define a obrigatoriedade da educação acaba por não permitir que as famílias cumpram o dever constitucional de ter os seus filhos na escola.
O relatório do Tribunal de Contas do Estado aponta que, mesmo onde já houve obras, alunos com deficiência continuam com grandes dificuldades. A justificativa, por exemplo, da não instalação de pista podotátil para deficientes visuais devido à ausência de fornecimento pode soar como impossível.
De qualquer forma, é um avanço o poder público entender que escolas devam ser adaptadas. Mas continua a questão: o que fazer com quem não cumpre a lei (Decreto 5.296 de 2004, por exemplo) e não adapta escolas e outros espaços?

SHIRLEY SILVA é professora da Faculdade de Educação da USP, pesquisadora de políticas públicas e de educação inclusiva

Fonte: Jornal Folha de São Paulo - Cotidiano

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